Home Data de criação : 09/10/30 Última atualização : 11/10/18 02:58 / 3 Artigos publicados

Oficina de Poesia  escrito em segunda 02 novembro 2009 15:45

O trabalho com textos poéticos busca criar condições para a ampliação dos conhecimentos prévios, lingüísticos e pragmáticos, necessários para leitura e compreensão de textos literários. O trabalho com poesias tem por objetivos: DESCOBRIR o gosto pelas obras poéticas; AMPLIAR os conhecimentos sobre poema e poesia; APRECIAR a estilística da obra literária; ADOTAR atitudes investigativas frente ao texto; IDENTIFICAR pistas deixadas no poema para construção de sentido, através dos conhecimentos prévios; FORMAR leitores e produtores de poemas. Autora: Luciana Corrêa Borel Professoras Responsáveis: Kelly Matos e Antônia Alves METODOLOGIA Primeiramente fazer a preparação do ambiente. Colocar uma música de fundo, de preferência clássica, arrumar a sala para que as carteiras formem um círculo e a professora deve fazer parte dele. A princípio é feita a leitura de algumas poesias em voz alta para os alunos (a quantidade fica a critério da professora). Após a leitura, a professora perguntará a classe se eles perceberam emoções e/ou sentimentos nos poemas lidos, isto levará o aluno a refletir que poesia é um conceito abstrato que se refere a emoções e sentimentos. Deixar acontecer um pequeno debate sobre o assunto. São explicados para a turma os conceitos de poesia, verso, estrofe e poema. Estes conceitos podem ser escritos na lousa para a turma copiar, ou entregues a eles em uma folha digitada, preparada para a oficina (critério da professora). Antecipadamente, a professora preparará uma caixa com pequenas poesias infantis (anexo). A professora colocará uma música animada e ficará de costas para a turma que passará a caixa de mão em mão. A professora irá parar a música e a criança que estiver segurando a caixa tirará um poema e o lerá para toda a turma. A professora escolherá três poemas dos que estiverem em anexo neste projeto e os lerá para a turma para que eles elejam o melhor. Este poema vai ser trabalhado da seguinte forma: Leitura oral; Debate na intenção de interpretá-lo e descobrir os sentimentos e emoções; Um desenho será feito para que eles ilustrem o que entenderam; Uma reconstrução coletiva do texto (mudança do tema ou das intenções do autor, este fica a critério do professor e do andamento da oficina); Cada criança irá produzir um poema com o tema livre. Avaliação: será realizado um sarau de poesias, onde as crianças apresentarão suas composições para a turma, sempre com uma música de fundo. ANEXO Cecília Meireles Colar de Carolina Com seu colar de coral, Carolina corre por entre as colunas da colina. O colar de Carolina colore o colo de cal, torna corada a menina. E o sol, vendo aquela cor do colar de Carolina, põe coroas de coral nas colunas da colina. Vinícius De Moraes A Foca Quer ver a foca Ficar feliz? É por uma bola No seu nariz. Quer ver a foca Bater palminha? É dar a ela Uma sardinha. Quer ver a foca Fazer uma briga? É espetar ela Bem na barriga! Vinícius De Moraes O Peru Glu! Glu! Glu! Abram alas pro Peru! O Peru foi a passeio Pensando que era pavão Tico-tico riu-se tanto Que morreu de congestão. O Peru dança de roda Numa roda de carvão Quando acaba fica tonto De quase cair no chão. O Peru se viu um dia Nas águas do ribeirão Foi-se olhando foi dizendo Que beleza de pavão! Glu! Glu! Glu! Abram alas pro Peru! Rosângela Trajano Eu vi um dragão Eu vi um dragão Voando no céu E meu coração Riscou no papel. Eu vi um dragão Com suas asas Levar um leão Perdido pra casa. Eu vi um dragão Soltando fogo Mais que carvão Perdeu o jogo. CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE No meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra. FERNANDO PESSOA A lavadeira no tanque Bate roupa em pedra bem. Canta porque canta e é triste Porque canta porque existe; Por isso é alegre também. Ora se eu alguma vez Pudesse fazer nos versos O que a essa roupa ela fez, Eu perdeira talvez Os meus destinos diversos. Há uma grande unidade Em, sem pensar nem razão, E até cantando a metade, Bater roupa em realidade... Quem me lava o coração? MÁRIO QUINTANA Canção da garoa Em cima do telhado Pirulin lulin lulin, Um anjo, todo molhado, Soluça no seu flautim. O relógio vai bater: As molas rangem sem fim. O retrato na parede Fica olhando para mim. E chove sem saber porquê E tudo foi sempre assim! Parece que vou sofrer: Pirulin lulin lulin... CECÍLIA MEIRELES Ou Isto Ou Aquilo Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva! Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares. É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares! Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro. Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo... e vivo escolhendo o dia inteiro! Não sei se brinco, não sei se estudo, se saio correndo ou fico tranqüilo. Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo.
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Projeto Anjo das Letras  escrito em segunda 02 novembro 2009 14:33

Blog de educart :Conhecimento se faz com Amor, Projeto Anjo das Letras
Tema: o Anjo das Letras – re-significando a alfabetização Objetivo geral: Aplicar através do trabalho em equipe, metodologias diversificadas para o ensino da alfabetização, envolvendo a turma multisseriada e o 1 ano da escola Simão Pedro. Objetivos específicos: • Pesquisar diversificadas metodologias de ensino para alfabetização (turma 1), através da pesquisa e planejamento da turma 2 (multisseriada); • Contribuir com o desenvolvimento da autonomia e capacidade de planejamento, do raciocínio lógico, através da elaboração das estratégias de ensino, verificando assim a melhora na concentração dos alunos; • Oferecer um atendimento individual aos alunos da alfabetização, promovendo assim uma aprendizagem mais significativa; • Oferecer situações para que os alunos possam treinar a oralidade com mais desenvoltura e liberdade; • Cooperar com o desenvolvimento da segurança do aluno nas disciplinas que ele ministrou/ ministrará; • Intensificar a leitura de textos respeitando a pontuação; • Promover um interesse maior dos alunos pelos estudos, colaborando para a melhoria das suas notas na escola formal. Justificativa: A Casa do Caminho Simão Pedro, é uma escola de Reforço Comunitária para crianças de 4 a 12 anos, residentes no bairro Colônia Antônio Aleixo, que estão inseridas em famílias com graves problemas sociais e fracasso escolar. A CCSP é uma instituição de amparo sócioeducativa a criança, que promove ações que visam o sucesso escolar e o desenvolvimento de valores éticos na criança com o envolvimento da família. Aplicamos o projeto “psicomotricidade” e de dança, além de dinâmicas criativas em sala de aula. Devido a sondagem realizada no início do ano letivo com as 2 turmas do turno matutino da instituição, verificamos a necessidade de uma intervenção mais efetiva e que abrangesse uma maior quantidade de disciplinas ampliando os resultados positivos no desenvolvimento da leitura, escrita, oralidade e autonomia dos alunos das duas turmas. Juntamente com esta situação, havia desinteresse dos alunos pelos estudos, uma das causas para o fracasso escolar na escola formal. O projeto foi idealizado a partir de uma questão que não me saía da mente: como reverter essa situação de descaso com os estudos? Como fazê-los compreender que os conhecimentos intelectuais, culturais e éticos, favorecerão seu crescimento como cidadãos do mundo? Visando a melhoria do aluno como um ser integral, não apenas as melhorias das notas da escola formal. Pensei que você só consegue se engajar em algo se você sentir útil. Um verdadeiro contribuinte, um produtor. Nas demais vertentes que eu poderia seguir, a docência foi o caminho que escolhi justamente pela minha imensa vontade de contribuir, fazer a diferença onde quer que eu esteja e atingisse um bom número de crianças durante toda uma vida. E por que não unir os aprendizes com a docência? Alunos docentes? Sim! Conteúdos Curriculares: Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Geografia e História. Metodologia: O projeto surgiu devido à necessidade de aperfeiçoar o ensino e torná-lo prazeroso as crianças, melhorando assim suas notas na escola formal de ensino. Devido a CCSP ser uma escola de reforço comunitária, a turma multisseriada consta de alunos de 3ᵒ, 4ᵒ, 5ᵒ e 6ᵒ ano do ensino fundamental, com idades de 10 a 12 anos. A necessidade de instituir um programa que estimulasse a leitura e produção de texto nessas crianças era enorme, fato constatado através da primeira sondagem realizada no início do ano letivo (Lista das hipóteses de escrita em anexo). Pedagogicamente falando, as técnicas de planejamento e didática, a pesquisa dos conteúdos e do material a ser utilizado, são ferramentas indispensáveis na composição de uma aula. A aplicação dessas técnicas, dos recursos da pesquisa e a busca das estratégias de ensino, proporcionam aquele que as desenvolve, o aperfeiçoamento dos mecanismos cognitivos como a linguística, que caracteriza pela sensibilidade para a língua falada e escrita, a lógico-matemática que abrange a capacidade de analisar problemas, intrapessoal, expressada na capacidade de se conhecer e avaliar sua própria conduta e postura como o “anjo-professor”, interpessoal é a habilidade de entender as intenções, motivações e desejos dos outros, ou seja, perceber o que seu “aluno” necessita. Existencial, capacidade de refletir sobre questões fundamentais da existência, ou seja, refletir sobre por que realmente estudar é algo essencial para nosso crescimento pessoal e intelectual. Sendo assim, pensamos na idéia dos alunos se tornarem “professores”. No mês de abril (2009), iniciamos o projeto com a parte teórica. Foram cerca de 5 aulas sobre planejamento e plano de aula, para esclarecimento dos termos pedagógicos como: componete curricular, metodologia, recursos pedagógicos, etc. Após as aulas teóricas, os alunos se dirigiram a sala da alfabetização para a escolha do “seu aluno”. Aluno escolhido, tivemos a idéia de fazermos um portifólio individual onde colocaríamos todas as atividades e relatórios produzidos. Realizado este processo, mais 3 aulas foram necessárias para que os alunos entendessem o mecanismo da avaliação de hipótese de escrita, teste aplicado por eles mesmos e um relatório a respeito da experiência foi composto, juntamente com uma análise pedagógica sobre o nível de alfabetização que as crianças se encontravam naquele momento foi feita pela professora titular. Neste ponto, fui analisar de que forma poderíamos adaptar as aulas com a inclusão. Iniciamos o ensino da Línguagem em Libras e o alfabeto em Braille (aulas que perduram até nos dias atuais). Fizemos o download do Dosvox e instalamos em dois dos computadores da nossa Sala de Informática, para que o aluno com deficiencia visual pudesse compor e lecionar suas aulas. Tendo sempre em vista que o objetivo não é especializar as crianças em Libras ou Braile, mas facilitar a comunicação se porventura algum aluno com estas características ser matriculado na escola. Mais 2 aulas sobre como escrever um relatório e os alunos foram realizar a pesquisa dos conteúdos. Os alunos se dividiram em 4 grupos : Lingua Portuguesa, Matemática, Ciências e Geografia e História. Foi disponibilizado a eles todo o acervo de livros para o professor que a instituição possui. Pesquisa feita, o próximo passo foi a composição do plano de aula realizado também em equipe. Os alunos escreveram todos os exercícios que foram feitos após a explicação dos conteúdos escolhidos e também a tarefa de casa, todos estes corrigidos pelo “anjo – professor”. No dia da realização do projeto os alunos-professores têm em mãos o portifólio do aluno, onde eles fazem a verificação final e fazem a solicitação do material a ser utilizado no dia. Definem em que lugar da escola a aula será feita e cada um busca seu aluno na sala da Alfabetização. A aula tem duração máxima de 1 hora. Quando as crianças retornam, um debate sobre como o processo ensino-aprendizagem é feito. Discutimos sobre dificuldades pessoais e as do aluno, aquilo que eles mais gostaram e o que eles planejam para a próxima aula. Um relatório sobre cada aula também é escrito após o debate para sabermos das dúvidas, dificuldades e aquilo que pode ser melhorado. A professora titular avalia cada relatório fazendo as devidas correções de coerencia e de ortografia e deixa como sugestão para o próximo plano. Um revezamento das equipes é feito a cada semana do projeto por exemplo: a turma de lingua portuguesa fará a aula de matemática da outra semana e assim sucessivamente. A cada final de mês uma avaliacão é feita pela professora da turma 1 (Alfa) para analisarmos o progresso da turma e também ao final de cada aula dada, uma pesquisa de opinião é feita com os alunos da turma 1 colhendo suas sugestões e dúvidas. Para alunos com necessidades especiais, a educadora titular efetuará a adaptação necessária a cada criança que por ventura fizer parte do projeto. Avaliação: A professora titular avalia a produção de todos os relatórios para verificar o progresso na escrita dos “anjos-professores”. Por observação direta a professora analisa a capacidade de concentração, dedicação e interesse do aluno-professor. Em documento enviado a escola formal de ensino e assinado pelos professores das outras escolas das crianças, a educadora da CCSP avalia o progresso das notas de todos os alunos envolvidos no projeto. Quanto a assiduidade, o projeto é organizado em 2 etapas semanais: 1 aula para planejamento e escrita das atividades e a outra é o dia da realização da aula em si. “Em autoavaliação, como educadora social, tenho o objetivo principal fazer os alunos perceberem como é importante estudar. Crescer como ser humano requer conhecimento e autoconhecimento. Trabalho em uma comunidade onde há um alto índice de drogas, violência, gravidez na adolescência e famílias desestruturadas. A proposta da CCSP é acolher as crianças provenientes destas famílias e que tenham um baixo rendimento escolar, com o interesse em promovê-las como estudantes e como pessoas. Nossa instituição ganhou a parceria de 2 anos com o Instituto HSBC Solidariedade, devido a especificidade de nossa escola e de nosso trabalho. Durante o período de 2 meses do projeto (que será desenvolvido durante todo este ano), coincidiu com o período de avaliação das crianças. Pude verificar que a produção escrita dos anjos professores melhorou consideravelmente. Seu nível de observação, dedicação e concentração elevou-se sensivelmente. Suas notas (aqui na Casa do Caminho) subiram de 3, 4 e 5 para 7, 8, 9 e 10 em Língua Portuguesa e em Matemática de 0,5 e 1 para 5, 6 e 7. É necessário informar que aqui na CCSP, são avaliados (com notas) somente Português e Matemática, porem as demais disciplinas compõe nossa rotina, devido às crianças necessitarem também de reforço nestas áreas na escola formal. As crianças aguardam ansiosas pelo dia do projeto ( as duas turmas), os “anjos”adoram serem professores neste dia diferente na escola. É necessário porém muita dedicação de minha parte, para orientá-los na construção do plano quando surgem dúvidas ainda sobre a linguagem pedagógica, sobre como visualizar os objetivos (estratégia que melhorou bastante a capacidade de percepção dos alunos), o incentivo a aulas mais criativas com pouco ou nenhum uso do quadro branco mas sim o aproveitamento do espaço físico da escola que possui uma área verde muito bonita. É preciso sempre revisar os conceitos pedagógicos e ler os relatórios produzidos um por um e orientá-los a respeito do que e como ensinar, ouvindo suas idéias e dúvidas. Ë um projeto que mostrou um resultado eficaz e prazeroso. E viva a Docência!!!!! “A necessidade aguça o engenho” – Luís de Camões
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O Melhor dos dois  escrito em segunda 02 novembro 2009 13:12

O melhor dos dois: um ponto de vista referente aos métodos de alfabetização na prática pedagógica Autora: Luciana Corrêa Borel Brandão, aluna do 7º período de pedagogia da Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Introdução: O presente estudo tem como enfoque principal a Alfabetização que, como propõem Freire e Macedo (1990), é “a relação entre o educando e o mundo, mediada pela prática transformadora deste mundo” e o Letramento que, segundo Soares (2000), "é o estado em que vive o indivíduo que não só sabe ler e escrever, mas exerce as práticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive". Assim como a alfabetização e o letramento são processos que caminham juntos, este trabalho, em específico, busca colocar um ponto de vista sobre a aquisição da língua escrita, baseado no alfabetizar letrando, antecedendo a conceituação dos métodos que possibilitou um conhecimento teórico que serviu como alicerce para a fundamentação de conceitos que envolvem este processo. Palavras-chave: alfabetizaçao, letramento, método, professor. Conceito de alfabetização: etimologicamente, o termo alfabetização não ultrapassa o significado de “levar à aquisição do alfabeto”, ou seja, ensinar o código da língua escrita, ensinar as habilidades de ler e escrever; pedagogicamente, atribuir um significado muito amplo ao processo de alfabetização seria negar-lhe a especificidade, com reflexos indesejáveis na caracterização de sua natureza, na configuração das habilidades básicas de leitura e escrita, na definição da competência em alfabetizar. Toma-se, por isso, aqui, alfabetização em seu sentido próprio, específico: processo de aquisição do código escrito, das habilidades de leitura e escrita. A alfabetização consiste no aprendizado do alfabeto e de sua utilização como código de comunicação. De um modo mais abrangente, a alfabetização é definida como um processo no qual o indivíduo constrói a gramática e em suas variações. Esse processo não se resume apenas na aquisição dessas habilidades mecânicas (codificação e decodificação) do ato de ler, mas na capacidade de interpretar, compreender, criticar, resignificar e produzir conhecimento. Envolve também o desenvolvimento de novas formas de compreensão e uso da linguagem de uma maneira geral. É um fator propulsor do exercício consciente da cidadania e do desenvolvimento da sociedade como um todo. Os métodos: Para o ensino da leitura, utilizavam-se, métodos de característica sintética (da "parte" para o "todo"): da soletração (alfabético), partindo do nome das letras; fônico (partindo dos sons correspondentes às letras); e da silabação (emissão de sons), partindo das sílabas. Iniciando o ensino da leitura com a apresentação das letras e seus nomes (método da soletração/alfabético), ou de seus sons (método fônico), ou das famílias silábicas (método da silabação), sempre de acordo com certa ordem crescente de dificuldade. Defende, que a aquisição da linguagem é um processo mecânico, ou seja, a criança será sempre estimulada a repetir os sons que absorve do ambiente. Assim, a linguagem seria a formação do hábito de imitar um modelo sonoro. De acordo com esse pensamento, o significado não entraria na vida da criança antes que ela dominasse a relação, já descrita, entre fonema e grafema. Nesse caso, a escrita serviria apenas para representar graficamente a fala. Diferentemente dos métodos de característica sintética, o método analítico, vai assumir importância maior na década de 30, baseava-se em princípios didáticos derivados de uma nova concepção, de caráter biopsicofisiológico. Opunha-se ao método sintético, questionando dois argumentos dessa teoria. Um que diz respeito à maneira como o sentido é deixado de lado e outro que supunha que a criança não reconheceria uma palavra sem antes reconhecer sua unidade mínima. A principal característica que diferencia o método sintético do analítico é o ponto de partida. Enquanto o primeiro parte do menor componente para o maior, o segundo parte de um dado maior para unidades menores. De acordo com esse método analítico, o ensino da leitura deveria ser iniciado pelo “todo”, para depois se proceder à análise de suas partes constitutivas. O método analítico se decompõe em: 1. Palavração: diz respeito ao estudo de palavras, sem decompô-las, imediatamente, em sílabas; assim, quando as crianças conhecem determinadas palavras, é proposto que componham pequenos textos; 2. Sentenciação: formam-se as orações de acordo com os interesses dominantes da sala. Depois de exposta uma oração, essa vai ser decomposta em palavras, depois em sílabas; 3. Conto: a idéia fundamental aqui é fazer com que a criança entenda que ler é descobrir o que está escrito. Da mesma maneira que as modalidades anteriores, pretendia-se decompor pequenas histórias em partes cada vez menores: orações, expressões, palavras e sílabas. Com o passar do tempo, apareceram cartilhas que seguiam o método misto, ou seja, misturavam estratégias dos métodos sintético e analítico. Um bom exemplo é a cartilha Caminho Suave (1948), de Branca Alves de Lima, que trazia o período preparatório. Até a década de 50, as cartilhas escolares ainda davam ênfase à leitura. Achavam importante ensinar o abecedário. A leitura era feita através de exercícios de decifração e de identificação de palavras, por meio dos quais os alunos aprendiam as relações entre letras e sons seguindo a ortografia da época. A ênfase passou a ser dada à produção escrita pelo aluno e não mais à leitura. O importante, agora, era aprender a escrever palavras. A atividade escolar deixou de privilegiar a aprendizagem e passou a cuidar quase que exclusividade do ensino – aquilo que o professor deveria fazer em sala de aula. Apareceram as palavras-chave, as sílabas geradoras e os textos elaborados apenas com as palavras já estudadas. As "famílias" de letras passaram a ser estudadas em uma ordem crescente de dificuldade. Completadas todas as letras, o aluno começava seu livro de leitura, agora também programado de maneira a ter dificuldades crescentes, libertando, aos poucos, o aluno da cartilha e levando-o a ler autores de textos infantis. Essa cartilha já trazia em si o esquema de todas as outras cartilhas que apareceram depois, caracterizando a alfabetização pelo estudo da escrita e usando como técnica o monta-e-desmonta do método do bá-bé-bi-bó-bu. Alfabetização e construtivismo: A partir do início da década de 1980, essa tradição passou a ser sistematicamente questionada, em decorrência de novas urgências políticas e sociais que se fizeram acompanhar de propostas de mudança na educação, a fim de se enfrentar, particularmente, o fracasso da escola na alfabetização de crianças. Como correlato teóricometodológico da busca de soluções para esse problema, introduziu-se no Brasil o pensamento construtivista sobre alfabetização, resultante das pesquisas sobre a psicogênese da língua escrita desenvolvidas pela pesquisadora argentina Emilia Ferreiro e colaboradores, descrevendo a psicogênese da língua escrita a partir de referencial piagetiano, provocaram significativas alterações na fundamentação teórica do processo ensino-aprendizagem da lectoescrita, deslocando seu eixo de "como se ensina" para "como se aprende" a ler e a escrever. Na perspectiva dos trabalhos desenvolvidos por Ferreiro, os conceitos de prontidão, imaturidade, habilidades motoras e perceptuais, deixam de ter sentido isoladamente como costumam ser trabalhados pelos professores. Estimular aspectos motores, cognitivos e afetivos, são importantes, mas vinculados ao contexto da realidade sócio-cultural dos alunos. Essa nova concepção de alfabetização ficou conhecida como "construtivista" e explica que o aprendizado da leitura e da escrita segue uma linha de evolução regular, independente da classe social do aprendiz, de ele ter/não ter cursado a pré-escola e do dialeto falado. Ferreiro e Teberosky (1986) se limitaram a apresentar a descrição da psicogênese da língua escrita, evitando qualquer sugestão metodológica, deixando essa tarefa a cargo dos especialistas em alfabetização. A Psicogênese da Língua Escrita caracteriza-se pela sucessão de etapas cognitivas que, sem a instrução direta vinda dos adultos, são, de forma original, formuladas pelas crianças em processo de conhecimento a partir da interação com o meio social e escolar. Os níveis estruturais da linguagem escrita explicam as diferenças individuais e os diferentes ritmos dos alunos e segundo Emilia Ferreiro são classificados em pré-silábico, silábico e alfabético. Inicia-se, assim, uma disputa entre os partidários do construtivismo e os defensores dos tradicionais métodos (sobretudo o misto ou eclético), das tradicionais cartilhas e do tradicional diagnóstico do nível de maturidade com fins de classificação dos alfabetizandos, engendrando-se um novo tipo de ecletismo processual e conceitual em alfabetização. Nos meados da década de 80, aparece, pela primeira vez, a palavra letramento no livro de Mary Kato: No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística, de 1986. Segundo Soares (2000) podemos conceituar letramento como "estado em que vive o indivíduo que não só sabe ler e escrever, mas exerce as práticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive". Letramento é o estado em que vive o indivíduo que não só sabe ler e escrever, mas exerce as práticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive (SOARES, 2000). Saber ler e escrever, é insuficiente para vivenciar plenamente a cultura escrita e responder às demandas da sociedade atual, é preciso letrar-se, ou seja tornar-se um indivíduo que não só saiba ler e escrever, mas exercer as práticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive (Soares, 2000). Considerando sujeito letrado, o indivíduo: "Letrado" poderia ser, então, o sujeito - criança ou adulto - que, independentemente de (já) ter ido à escola e de ter aprendido a ler e escrever (ter sido alfabetizado?), usasse ou compreendesse certas estratégias próprias de uma cultura letrada. (KLEIMAN, 1995, p. 19, apud MELLO; RIBEIRO, 2004, p. 26). Para uma pessoa ser considerada letrada, não é necessário que tenha frequentado a escola ou que saiba ler e escrever, basta que o mesmo exercite a leitura de mundo no seu cotidiano, sendo um cidadão partícipe de sua comunidade, atuando em associações, clubes, instituições, igreja, entre outros. Quem é letrado ... utiliza a escrita para escrever uma carta através de um outro indivíduo alfabetizado, um escriba, mas é necessário enfatizar que é o próprio analfabeto que dita o seu texto, logo ele lança mão de todos os recursos necessários da língua para se comunicar, mesmo que tudo seja carregado de sua particularidades. Ele demonstra com isso que conhece de alguma forma as estruturas e funções da escrita. O mesmo faz quando pede para alguém ler alguma carta que recebeu, ou texto que contém informações importantes para ele. (SOARES, 2003, p. 43 apud PEIXOTO et al, 2004 ). Dentre a multiplicidade de problemas que enfrentamos hoje a respeito do ensino inicial da leitura e escrita, as dificuldades decorrentes, em especial, da ausência de uma “didática construtivista” vêm abrindo espaço para a tentativa, por parte de alguns pesquisadores, de apresentar "novas" propostas de alfabetização baseadas em antigos métodos, como os de marcha sintética. Devo, ainda, mencionar, pelo menos, dentre essa multiplicidade de aspectos, as discussões e propostas em torno do letramento, entendidas ora como complementar a alfabetização, ora como diferente desta e mais desejável, ora como excludentes entre si. Alfabetizar letrando Porque alfabetização e letramento são conceitos freqüentemente confundidos ou sobrepostos, é importante distingui-los, ao mesmo tempo que é importante também aproximá-los: a distinção se faz necessária porque a introdução, no campo da educação, do conceito de letramento tem ameaçado perigosamente a especificidade do processo de alfabetização; por outro lado, a aproximação é necessária porque não só o processo de alfabetização, embora distinto e específico, altera-se e reconfigura-se no quadro do conceito de letramento, como também este é dependente daquele. (SOARES, 2003, p. 90 apud COLELLO, 2004) O processo de letramento inicia-se quando a criança nasce em uma sociedade, começando a letrar-se a partir do momento em que convive com pessoas que fazem uso da língua escrita, e que vive em ambiente rodeado de material escrito. Assim ela vai conhecendo e reconhecendo práticas da leitura e da escrita. Já o processo da alfabetização inicia-se quando a criança chega à escola. Cabe à educação formal orientar esse processo metodicamente, mas, segundo Peixoto (et al, 2004), ... não basta apenas o saber ler e escrever, necessário é saber fazer uso do ler e do escrever, saber responder às exigências de leitura e de escrita que a sociedade faz, pois: enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de uma sociedade. (TFOUNI, 1995, p. 20 apud COLELLO, 2004). Depois que se iniciaram os estudos do letramento, o conceito de alfabetização foi reduzido à mera decodificação, ao simples ensinar a ler e escrever. Não devemos desmerecer a árdua tarefa, a importância de ensinar a ler e a escrever, pois a aquisição do sistema alfabético se faz necessária para o indivíduo entrar no mundo da leitura e da escrita. Na realidade, alfabetização e letramento, esses dois processos, caminham juntos, ou melhor o processo de letramento, como vimos, antecede a alfabetização, permeia todo o processo de alfabetização e continua a existir quando já estamos alfabetizados. O Papel do Educador no Letramento O educador que se dispõe a exercer o papel de "professor-letrador" considera que: (...) o ato de educar não é uma doação de conhecimento do professor aos educandos, nem transmissão de idéias, mesmo que estas sejam consideradas muito boas. Ao contrário, é uma contribuição "no processo de humanização". Processo este de fundamental papel no exercício de educador que acredita na construção de saberes e de conhecimentos para o desenvolvimento humano, e que para isso se torna um instrumento de cooperação para o crescimento dos seus educandos, levando-os a criar seus próprios conceitos e conhecimento. (FREIRE, 1990 apud PEIXOTO et al, 2004) Mas se faz necessário que o educador, principalmente o que já se encontra há anos exercendo o papel de professor-alfabetizador e que confia plenamente na mera aquisição de decodificação, aceite romper barreiras íntimas, pois o mundo se transforma, evolui, acreditando que as transformações que ocorrem na sociedade contemporânea atingem todos os setores, assim como também a escola e os saberes do educador, pois métodos que aprenderam há décadas podem e devem ser aprimorados, atualizados ou até mesmo modificados. O conhecimento não pode manter-se estagnado, pois ele nunca se completa ou se finda. Então, antes de o professor querer exercer esse papel de "letrador" é necessário que ele se conscientize e busque ser letrado, domine a produção escrita, as ferramentas de busca de informação e seja um bom leitor e um bom produtor de textos. Mas para que se torne capaz de letrar seus alunos, é preciso que conheça o processo de letramento e que reconheça suas características e peculiaridades. Atualmente, temos recursos a que o próprio educador pode recorrer para aprimorar seu conhecimento. Mas ainda não são todos os que têm essa coragem de reconhecer que precisa aprender e aprender sempre. O professor, hoje em dia, tem a oportunidade de estudar os Parâmetros Curriculares Nacionais e cito aqui, em especial, o de Língua Portuguesa que traz, em linguagem simples, o ensino da língua de forma contextualizada para auxiliá-lo em sua prática em sala de aula e em seu planejamento. Os estudos realizados por Peixoto (et al, 2004) sobre o papel do “letrador”, ao analisar a prática do letramento pelo professor, destacou alguns passos para o desempenho desse papel que considero relevante citar: 1) Investigar as práticas sociais que fazem parte do cotidiano do aluno, adequando-as à sala de aula e aos conteúdos a serem trabalhados; 2) Planejar suas ações visando ensinar para que serve a linguagem escrita e como o aluno poderá utilizá-la; 3) Desenvolver no aluno, através da leitura, interpretação e produção de diferentes gêneros de textos, habilidades de leitura e escrita que funcionem dentro da sociedade; 4) Incentivar o aluno a praticar socialmente a leitura e a escrita, de forma criativa, descobridora, crítica, autônoma e ativa, já que a linguagem é interação e, como tal, requer a participação transformadora dos sujeitos sociais que a utilizam; 5) Recognição, por parte do professor, implicando assim o reconhecimento daquilo que o educando já possui de conhecimento empírico, e respeitar, acima de tudo, esse conhecimento; 6) Não ser julgativo, mas desenvolver uma metodologia avaliativa com certa sensibilidade, atentando-se para a pluralidade de vozes, a variedade de discursos e linguagens diferentes; 7) Avaliar de forma individual, levando em consideração as peculiaridades de cada indivíduo; 8) Trabalhar a percepção de seu próprio valor e promover a auto-estima e a alegria de conviver e cooperar; 9) Ativar mais do que o intelecto em um ambiente de aprendizagem, ser professor-aprendiz tanto quanto os seus educandos; 10) Reconhecer a importância do letramento, e abandonar os métodos de aprendizado repetitivo, baseados na descontextualização. Esses passos devem servir como norteadores à prática dos professores que desejam alfabetizar letrando. Os métodos de ensino não são bons nem maus, em termos absolutos, e podem se classificar em função da quantidade e qualidade de ajuda pedagógica que oferecem aos alunos. Para que um tipo de aprendizado seja realmente válido e tenha sentido, é necessário que a maneira de ensinar facilite a motivação. Praticar os métodos que incluem o uso de projetos e pesquisa por parte do aluno é elemento importante para facilitar o aprendizado e fomentar a construção do conhecimento. Considerações Finais A questão da alfabetização é um problema social, econômico e político em nosso país. Mas, além disso, tal questão é um problema pedagógico, que tem ocupado professores, especialistas e pesquisadores. Na verdade, apontamos insuficiências na escola, na família, no professor ou no método utilizado, mas o problema persiste e corremos o risco de continuarmos em débito social, ou seja, um número grandioso de analfabetos. Ao longo do tempo, o conceito de alfabetização mudou para responder às necessidades da sociedade. Desta forma, da visão inicial – ensinar os rudimentos da leitura e da escrita – passamos à concepções complexas, como a construção do conhecimento pela própria criança, em interação com o grupo. Mas, ainda assim, continuamos com altos índices de analfabetismo, evasão e repetência nas séries iniciais. Acredito que o professor precisa estar instrumentalizado para atuar com sucesso junto aos alunos e isso exige reflexão e questionamento. Implica num redimensionamento do sentido da alfabetização e das ações do professor, além da reorganização do currículo, planejando coletivamente uma intervenção significativa no processo de aprendizagem dos alunos e valorizando as experiências dos sujeitos envolvidos no processo de alfabetização – aluno, professor e comunidade escolar. Neste processo, o melhor método de alfabetização é na realidade uma reinvenção de todos os métodos, contextualizando-os e tornando sua prática cada vez mais lúdica e agradável. Nenhum método tem sucesso com todas as crianças. Para ter sucesso na alfabetização é fundamental compreendermos que o método nada significa se não definirmos muito bem os nossos objetivos educacionais. Assim, ao modo de fazer as coisas, ou de como fazê-las, antecede a intenção de fazê-las e a competência de quem as faz. Referencial Bibliográfico: CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetizando sem o bá-bé-bi-bó-bu. São Paulo: Scipione, 1998. COLELLO, Silvia M. Gasparian. Alfabetização e Letramento: repensando o ensino da língua escrita. Disponível em: Acesso em: 30 out. 2004. FREIRE, Paulo; MACEDO, Donaldo . Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990. HAMZE, Amelia. Alfabetização. Disponível em: Acesso em: 30 out. 2004. MEC. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa. Brasília, 2001. MELLO, Maria Cristina; RIBEIRO, Amélia Escotto do Amaral. Letramento: significados e tendências. Rio de Janeiro: Wak, 2004. PEIXOTO, Cynthia Santuchi et al. Letramento você pratica? Disponível em: Acesso em: 30 out. 2004. PERNAMBUCO, Déa Lucia Campos. A alfabetizadora construtivista representada por professoras. Disponívelem: Acesso em: 28 mar. 2004. SOARES, Magda Becker. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Disponível em: Acesso em: 30 out. 2004. ______ . Letrar é mais que alfabetizar. Jornal do Brasil. nov. 2000.
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